Fico olhando a chuva cair na escuridão lá fora, a luz que vem do poste é a única coisa que permite poder enxergar mais que trevas. Foi ali pela aquela escuridão que ele saiu, foi ali que o vi pela última vez. Dessa vez eu sabia que era a última vez, depois de tantos adeus eu sabia que esse era o definitivo, o último, não teria mais nenhum. Eu sabia, eu sentia,tudo tinha mudado dessa vez.
Queria chorar, mas as lágrimas não vinham. Queria gritar, mas a voz não saia. Queria jogar as coisas na parede, mas meus braços não se mexiam. Queria esmurrar, socar alguma coisa, mas minhas mãos também não se mexiam. Queria poder descontar essa raiva, queria por ela pra fora, mas não conseguia a única coisa que conseguia era ficar aqui parada que nem uma estatua olhando a chuva cair lá fora.
A chuva continuava caindo e eu continuava a fita-la, a ficha já tinha caído, mas mesmo assim eu ainda não conseguia me mexer, eu ainda não conseguia reagir. A lembrança do nosso último adeus ainda domina minha mente, desde da sua saída ela não para de passar e repassar....
-Não, não mais precisamos disso. Você sabe, você precisa disso tanto quanto eu. Carinho de amigo é única coisa, você sabe, é isso não basta, você sabe que não.
Sinto seus lábios no meu, um beijo rápido, frio, sem emoção, um típico último beijo.
Eu sabia que não dava mais, eu sabia que tinha acabado, mas como admitir quando eu ainda gostava da sua companhia? Sabia que era carinho de amigo, sabia que não era o bastante, mas sabia que assim que ele saísse por aquela porta nunca mais iriamos nos falar. Eu sabia que não estava perdendo só meu namorado eu estava perdendo também meu melhor amigo, a única pessoa que me entendia, sabia que estava perdendo a única pessoa com quem eu era eu mesma.
Não digo nada quando enquanto ele caminha até a porta da minha casa, simplesmente viro de costas e fico fuzilando a rua pela janela e desde então é o que estou fazendo, absorvendo a perda do meu grande amigo, namorado ele já não era a muito tempo.
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