sábado, 6 de dezembro de 2014

Lembranças

Olho para as malas jogadas no canto mais distante do quarto e pergunto me quando terei coragem de desfazê-la, se um dia terei a coragem. Tem tanta coisa lá, tantas coisas que eu coloquei lá, tantas coisas que eu adoraria retirar ao mesmo tempo que tem tantas outras que doeriam tanto trariam tantas lembranças. O lado que sabe que irá doer vence, sempre vence. Olho para a mala fecho os olhos e deixo me ir até o dia a que fechei.
Estamos na nossa mesa de jantar falando sobre o filme que passou na tv, os dois sabemos que falta alguma coisa nos olhamos, tentamos falar com os olhos, mas não conseguimos, antigamente nos exibiamos por conseguir o que os amigos não conseguiam, pelo nosso nível de intimidade. Está chovendo, normalmente estaríamos na cama com o barulho das gotas no telhado de trilha sonora, mas não é mais normalmente. Ele levanta da um beijo na minha testa e sai, fico ali encarando as paredes, ele volta com uma mochila, ele me olha apenas aceno, ele sai, ele se foi, acabou. 
Abro os olhos a mala continua ali, por um momento imaginei que ela pudesse sumir. Foi um longo relacionamento antes amigos, depois namorados, parceiros todos aqueles dez anos ele esteve junto, os sonhos que montamos, os meus sonhos que estavam ligados com ele, a minha vida que dividia com ele, tudo está ali, e por mais que tenha sido o certo ainda dói não tê-lo por perto, era tão familiar.  Por mais que quiséssemos nunca iríamos conviver mais juntos, nem como namorados e nem como amigos uma hora a mágoa viria, e tudo iria se arruinar, todas as boas lembranças. Mesmo que tenha sido o certo, dói afinal o desconhecido sempre dói.
ah se fosse tão fácil recordar os sonhos e não ter a saudade do meu amigo, ah se fosse tão fácil aceitar que foi melhor, ah se fosse tão fácil não ter o aqui comigo...

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