sábado, 6 de dezembro de 2014

Encontro


O vento está morno do jeito que ela gosta, o sol não aparece quando o vento norte aparece e provavelmente irá chover, ela sabe, porém mesmo assim saiu para correr tem certos hábitos que nem a chuva pode cortar. As ruas estão vazias por um momento, ela agradece, o vento, o silêncio é reconfortante. Até mesmo os barulhos dos carros hoje é diferente, os cabelos voam a cara, mas não se importa só torna o dia mais agradável. Ela entra na rua que leva até seu destino gostaria de correr mais um pouco, como está na rua apenas decidiu diminuir a velocidade e ir caminhado até a casa no fim da rua. São casas da classe média bonitinhas, com grades de proteção, carros populares na garagem, algumas plantas e um cachorro.  Ela sempre correu, nunca reparou muitos na casa hoje reparou. Ela chegou na casa azul com janelas e portas brancas, ela conhece essa casa como sua própria casa. Ela pega as chaves que ele deu lhe a algumas semanas e entra, encontrando o sentado na pequena varanda.
 
-Decidiu aproveitar o vento?


É um pequeno senhor talvez uns oitenta anos.


- Não é todos os dias que temos um vento assim.


Ela entra vai para cozinha arruma o café na cafeteira, vai para o quarto pega os remédios da pressão volta na cozinha pega um pouco do suco de laranja da cozinha e leva até ele. Depois de conferir que o tomou volta põe o café nas xícaras passa pela mesa da sala e recolhe o jornal que o jogou ali. Vai até a varanda da lhe o café,  senta no degrau mais alto da mini varanda.


-Parece um dia bonito.


Ela diz.


-Sim, um bom dia.


O silêncio entre eles é normal. Poderiam ficar o dia ali contemplando o silêncio, perdidos no próprios pensamentos e não seria constrangedor.


-Já pulou de paraquedas, menina?

-Não.


-Pois devia.


-Está nos planos.


Silêncio reina de novo tem apenas aquele assobio do vento. Ela pega o jornal que havia colocado sobre a varanda do seu lado abre o passa o olho pelas manchetes, retira os classificados e a parte dos colonistas e o alcança.


- Saudades dos bons jornais.


-Quais bom jornais?


-Aqueles em que não se via tragédias até nas colunas.


Ele nunca lê as notícias, as tragédias são sempre as mesmas, você pode até adivinhar.  As melhores coisas são surpreendentes, tipo o que se pode encontrar a venda nos classificados.
Ela terminou o café ele também, recolhe as xícaras e vai até a pia lavá las. Vai até a pequena biblioteca e recolhe os livros que haviam começado ontem, volta e senta novamente no chão coloca o livro dele ao seu lado e abre o seu.


-Pode alcançar o meu.


Ela o alcança, passam alguns minutos quem sabe até uma hora lendo, sem conversa só duas almas ali desfrutando da companhia silenciosa uma da outra.
Ele levanta  ela segue o com os olhos vai até a estante pega o pequeno caderno e as canetas volta.


- Qual a história hoje?


Ela pensa em algo quer que vire história e não faz ideia do que possa ser a historia de hoje.


-Vamos menina deve ter algo.


-Um dia de ventania.


Ele começa a escrever enquanto ela cita as palavras  em voz alta. Eles terminam, ela lamenta.
Ela pega o caderno e leva até o seu lugar.  Volta na varanda está quase na hora de ir,. Está quase na hora de voltar a só mais uma alma vazia, ela fica de pé encarando o céu nublado.


-Quanto tempo ainda demorará para cair a chuva?


-Algumas horinhas ainda.

Não se sabe quando tornou se um hábito a companhia dos dois pelas manhãs, foi depois que o encontrou desmaiado no portão, mas não se sabe quando decidiram ser amigos, quando decidiram compartilhar o silêncio e preencher o vazio da alma que cada um tinha. Não se sabe quando passaram a curar a alma ferida um do outro.

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