sábado, 20 de dezembro de 2014

Olho pela janela e tento descobrir como tudo ficou assim, não quero olhar nos seus olhos, não posso ver a dor que causei. Eu estou quebrada, mas sei que está pior  ,deu me tudo e eu ainda tenho uma parte que não lhe dei e não darei, uma parte que está intacta, que não posso, não consigo libertar. Sei que uma hora o pedido viria, sei que uma hora cansaria de esperar eu entregar lhe  e pediria. Eu não podia.

Eu vi em seus olhos o pedido assim como ele viu a negação nos meus, ele enfim entendeu o porquê dos curtos relacionamentos, do fácil mudar se, deixar ir, as histórias e segredos não revelados, os poucos amigos, a frieza, calculista, controle. Eu nunca seria quem precisava.

Não pense que eu não quis dar, eu quis, quis libertar me, quis dizer tome, eu quis entregar a última parte de mim que ainda não tinha, mas quando eu fui dá-lo não consegui.

Lágrimas caem pelo meu rosto, eu não consigo, eu não posso. Eu encaro, peço que entenda me. Ele não entende...

Estou olhando pela janela, reparando nos vagas lumes no meio da noite, quando ouço o som da porta batendo, ele se foi.

Choro, é a única coisa que posso fazer já que jamais poderei dar a alguém a confiança, a única parte de mim que não consigo libertar, confiança.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

A felicidade está logo aqui

Andar descalça pela casa, sentar no sofá da sala para assistir a novela chata, sentir o cheiro de café, o vento bagunçar os cabelos, dormir com o barulho da chuva, dormir até tarde durante as férias, escutar a música favorita, ganhar o livro predileto, olhar se no espelho e sentir se bonita, ganhar um elogio, fazer uma criança sorrir, ler um livro, conversar com os amigos, rir, brincar mesmo não tendo a idade, ouvir uma piada, contar uma piada, abraçar, ganhar um abraço, cheiro de comida de vó, família, uma boa música, uma boa comida, fazer uma boa ação, dançar na chuva, preparar comida, rir de uma piada horrível, fazer alguém rir...

sábado, 6 de dezembro de 2014

Lembranças

Olho para as malas jogadas no canto mais distante do quarto e pergunto me quando terei coragem de desfazê-la, se um dia terei a coragem. Tem tanta coisa lá, tantas coisas que eu coloquei lá, tantas coisas que eu adoraria retirar ao mesmo tempo que tem tantas outras que doeriam tanto trariam tantas lembranças. O lado que sabe que irá doer vence, sempre vence. Olho para a mala fecho os olhos e deixo me ir até o dia a que fechei.
Estamos na nossa mesa de jantar falando sobre o filme que passou na tv, os dois sabemos que falta alguma coisa nos olhamos, tentamos falar com os olhos, mas não conseguimos, antigamente nos exibiamos por conseguir o que os amigos não conseguiam, pelo nosso nível de intimidade. Está chovendo, normalmente estaríamos na cama com o barulho das gotas no telhado de trilha sonora, mas não é mais normalmente. Ele levanta da um beijo na minha testa e sai, fico ali encarando as paredes, ele volta com uma mochila, ele me olha apenas aceno, ele sai, ele se foi, acabou. 
Abro os olhos a mala continua ali, por um momento imaginei que ela pudesse sumir. Foi um longo relacionamento antes amigos, depois namorados, parceiros todos aqueles dez anos ele esteve junto, os sonhos que montamos, os meus sonhos que estavam ligados com ele, a minha vida que dividia com ele, tudo está ali, e por mais que tenha sido o certo ainda dói não tê-lo por perto, era tão familiar.  Por mais que quiséssemos nunca iríamos conviver mais juntos, nem como namorados e nem como amigos uma hora a mágoa viria, e tudo iria se arruinar, todas as boas lembranças. Mesmo que tenha sido o certo, dói afinal o desconhecido sempre dói.
ah se fosse tão fácil recordar os sonhos e não ter a saudade do meu amigo, ah se fosse tão fácil aceitar que foi melhor, ah se fosse tão fácil não ter o aqui comigo...

Último encontro

-Por que?

Ele está a fazer perguntas tentando entender onde tudo começou.

-Eu não sei.

Estão a se encarar, tentando entender o porquê. Eles não conseguem chegar a uma conclusão.

-Não era o suficiente?

Ele balança a cabeça, ela olha os sapatos caros.

-Achava que sim.

Ela volta a olha-lo ao mesmo tempo que ele para de balançar a cabeça.

-Ainda estamos em sintonia.

Ela ri, ele sentiu tanta falta do sorriso dela por um momento ele podera pedi lá uma foto.

-Senti sua falta.

-Estava pensando nisso.

Um avião cruza o céu.

-Quando você volta?

O avião trouxe as memórias que tanto lutaram para esquecer. Ela olha para cima tentando dissipar às lágrimas que querem descer.

-Não volto.

Por um minuto ele tem esperanças, mas ele observa a e sabe que o motivo não é ele.
O Sol está começando a se pôr, é uma linda vista. 
Ele pensa em levantar e partir sem dizê la adeus, vingar se pelo que ela fez a ele.

-Eu nunca vou perdoá lá.

-Eu não pediria isso.

-Eu sei.

Eles ainda se entendem, isso os machuca.  Seria tão fácil virar as costas uma para o outro se não existisse a sintonia.

-Achei que só os velhos ficam sentados nesses bancos vendo a vida passar.

Ele a estuda, são os últimos minutos com ela. Ele sabe, sempre soube.

-Somos velha, querida. Sempre fomos.

-Você tem razão. Até hoje nunca tive um porre.

-Até hoje você nunca relaxou, nunca fez nada sem pensar, você sempre pensa. Nunca a vi agir.

Ela apenas assente, às lágrimas rolariam e a última coisa que quer e chorar. Ela não pode chorar, ela merece, ela foi a única a  escolher.

-Deveria tentar, a vida ainda não terminou. 
Ele levanta, deposita um beijo na sua testa.  Ela vê ele partir e dessa vez ela sabe que foi a última vez, o último encontro.


"I have loved you for many years
Maybe I am just not enough
You've made me realise my deepest fear
By lying and tearing us up"

I'm not the only one -Sam Smith

(Eu tenho te amado por muitos anos Talvez eu não seja suficiente
Você me fez perceber o meu maior medo Mentindo e nos destruindo )

Companheira de alma

Ela vive comigo desde de algum tempo, há tanto tempo que sequer lembro, apenas se instalou aqui e fez um lar. Não sei como, mas a cada dia parece aumentar o domínio. Já houve dias em que esquecia completamente dela, nem parecia que dividíamos a mesma alma, hoje até o clima lembra me da minha companheira.

Os dias passam e ela aumenta, os lugares mudam e ela duplica, as pessoas se vão ela triplica, as pessoas entram e eu sei que daqui a um tempo ela aumentará. Ela aparece nos mínimos detalhes, até o cheiro do pão da vovó, o cheiro daquela terra molhada, as boas histórias que eu mesmo era capaz de criar, o cheiro do giz da pré escola, o vento quente dos dias que iriam chover, o cachorro da vizinha, as pérolas do melhor amigo, a vizinha da cidade que não é mais meu lar, são tantas.
Oh, saudade quando eu não me assustarei de dividir minha alma com você?  Quando não me assustarei das lembranças que me traz? Quando eu não me causara mais lágrimas?  Quando eu vou me acostumar com o deixar? 

Saudade quanto você ocupada de mim!!

Inocente sofrimento

"Como eu queria voltar a ser criança era tão bom, não sofria."

Quem nunca pensou assim? Voltar onde tudo era fácil, ou melhor parece fácil agora depois de passar- claro que ser criança não compara de jeito nenhum a ser adulto- da fase, mas ser criança tem suas desilusões.

Você lembra-se da dor descobrir que seus amados desenhos não são realidade, provavelmente não, porém pense você e uma criança e descobre que animais não falam como seus programas preferidos, já é difícil aceitar que seu filme predileto é ficção, imagina uma criança!

Então a pior de todas decepções, creio eu, NÃO NEVA NO NATAL você é uma criança e aquele negócio branco de fazer bonecos cai na noite em que o bom velhinho deixa lhe o presente. Você acorda e pem NÃO NEVA, porcaria de estrangeirismo até hoje sou chateada com a falta de neve.

Logo depois quase no mesmo ano, se não no mesmo, você descobre que o bom velhinho não desce a lareira, se é que sua casa de classe média tenha, que o bom velhinho não existe. Seu presente vêm do seu papai, não há treno,renas, chaminés, bom velhinho.

Seus pais não o levaram a Disney eles dizem "um dia" esse dia não chega, você vai crescendo e você descobre o pior seu pai provavelmente não tem dinheiro para levá-lo -finja que não leu isso se é rico- seu sonho de criança feliz com o Mickey morre antes dos noves, lamento.

Sim, você cresceu sofrendo e claro curando fácil.

Quem dera lidar com a desilusão como antes, bem antes.

Fim

A luz está acesa, a televisão ligada, o barulho da geladeira velha, o quadro torto na parede, as roupas espalhada pela casa tudo como sempre foi, menos o sofá o ocupado, menos seus pés na mesa da sala, o riso fácil, tudo dele se foi. As cervejas, a tampa do vaso levantada, a cueca no box uma parte de mim, tudo foi embora. Na mesa de jantar ficou as últimas palavras, o último carinho, o último encontro de olhares, o último encontro. Cada parte há uma parte dele, uma memória nossa, e uma grito "acabou" A cama hoje vai estar mais fria, assim como o jantar estava mais solitário, o café mais forte.

A última conversa ainda ecoa na minha mente, o adeus ainda me atormenta e o desfecho está aqui cada vez que pisco os olhos. Tudo poderia ser tão diferente, uma palavra e estaria tudo exatamente igual e errado. Estaria o conforto, o conhecido, a rotina, o respeitável, o monótono, o tedioso.  Tudo chega ao fim, o nosso chegou. Chegou antes das brigas, dos gritos, das ofensas, da mágoa o nosso fim foi tão bonito quanto o nosso início, de longe não tão alegre, mas não existe a regra de que coisas tristes não podem ser bonitas, acabamos por comprovar. Foi o certo, triste e bonito, doeu ainda doerá, porém fizemos o que deveríamos. As lembranças continuam intactas, lindas sem manchas da mágoa que a poderia sujar.

Eterna ferida

Hoje eu vi a mágoa nos seus olhos, hoje eu percebi o quanto eu machuquei, hoje eu percebi quantos eu já devo ter ferido. Minha vontade foi pedir desculpas, então eu virei e dei lhe as costas. Posso saber que o machuquei e talvez eu até deveria ter dito "eu sinto muito", mas eu prometi nunca alguém ver me vulnerável.

Sei que pareço arrogante, antipática, fria na maioria das vezes fecho os olhos empino a cabeça e finjo que isso não importa, as vezes a vontade de ser alguém amável vem até a mim. Eu sei que posso ser alguém doce, então as lembranças vem, as feridas abrem e o meu coração endurece novamente.

Você fala "confie" eu espio o passado e nego me, não de novo não, as feridas nem se fecharam ainda. Ouço "dê uma chance, não são todos iguais", então dói novamente e prefiro não arriscar. Risquei arriscar e confiança na mesma frase desde que sou  apenas um retalho mal costurado. Todos tinham o mesmo olhar diante de mim, todos quando eu virava e partia apontavam minhas falhas, todos  zombavam e riam.

Sabe quanto foi duro deixar de ser uma piada? O quanto doeu para virar o que eu sou? Sabe o quanto é difícil erguer a cabeça e fingir ser superiror ou igual?  Passar o olhar de frieza? Tentar controlar o coração?  E a mente?  Sabe o quão difícil foi me construir?  Não você não imagina.

Você não imagina a satisfação de ser diferente, ser outro alguém. Sem risos, sem piedade, sem humilhação, a capacidade de não se sentir miserável. Eu não posso destruir isso, lamento.

Eu não vou arriscar cair, não quando eu não terei forças para levantar me, não quando eu estou o melhor em anos. Nunca serei digna do amor, quando o receber eu irei estragar e por mais que doa o deixarei partir.  Eu nunca vou dar o que precisam, nunca vou confiar novamente.

Suficiente???

-Você já foi bom suficiente?

Estão todos na mesa, cada um com seus próprios mostros.

-Não.

Todos respodem a mesma coisa. Todos ficam chocados com a resposta, saber que não é só você a não ser bom é assustador.

-Impossível ser bom?

Eles se encaram, todos tem medo de admitir. E se admitirem e nunca mais serem bons?

-Tudo é possível nessa vida.

Uma voz cansada surge, não é de nenhum da mesa. Um senhor careca da mesa ao lado os respondeu. Ele toma uma cerveja, todos o olham com curiosidade, ele sorri.

-Você foi bom?

Ele da de ombros.

-Como sabe ser possível?  Somos dez e nunca fomos bons?

-Quem os disse? Você pode ser bom?

Ninguém sabe responder quem disse, só foi tornando se uma verdade.

-Eu era bom para minha família, mas alguém de fora disse não é o suficiente então eu acreditei.

-Então está nos dizendo que somos insuficientes por que acreditamos?

O senhor encara aqueles jovens e vê se com aquela idade inúmeras lembranças surgem na sua mente velha e cansada.

-Ser bom é diferente de perfeito.

-Eu não sei ser bom.

Alguém fala todos concordam o velho balança a cabeça toma um gole da cerveja.

- As concepções de bom são diferentes.

Todos estão confusos, talvez estejam bêbados.

-Eu só queria ser bom.

-Você não é?

-Não.

-Por que?

-Você não sabe não é?  Você quer ser bom, mas não sabe porque não é, você nem sabe o que é "bom".

O velho levanta, vai até o caixa volta na mesa e diz:

-Todos somos bons, na nossa maneira, mas somos porque tentamos o melhor. O contrário de bom e mau, ser mau é o problema não o não suficiente bom. A vida não é feita de pessoas suficientes e sim de pessoas insuficientes tentando viver o suficiente.  É claro a perfeição só fictícia.

Assim ele sai deixando os todos sem reação.

Sorria

Sorrio. Sorrio pelo maior tempo que suportar, mas sei que uma não suportarei a dor vai vencer. Não conseguirei, é como uma bipolaridade uma hora conto piadas, sorrio, outra já não posso suportar mais a dor vence toma conta de mim, vai levando cada gota de "felicidade" até que viro o bolo de tristeza, uma hora a força vem de novo, sorrio.Sorrio até que ela vem e começa a levar tudo novamente. Recuso me a alguém ver o quanto dói, não sou fraca, não chorarei. A música toca tento me animar, ninguém pode ver me. Sorrio, forço ele, alguns vem o quanto forçado é. Às vezes deixo escapar o quanto estou fingindo, às vezes eles veem o quanto morta eu estou, sorria, sorria, não os deixe ver. Eu forço me a sorrir, a fingir, a ser forte. Ninguém pode ver o quanto morta eu estou, de um jeito menina, mas sorria, mas finja, você é mais forte que isso. Ninguém pode ver o quanto a dor é de mim, sorria não deixe ninguém chegar até você, não chore, não seja fraca, vença essa merda. Levante a cabeça, enxugue as lágrimas, mostre a todos que está bem. Não te abele por qualquer coisa, sorria mesmo quando te abele. Ria das palvaras que fazem tuas feridas sagrarem, não deixe ninguém ver o quanto ferida está. Ninguém pisa em você, sorria. Você não é vulnerável, engula o choro, seque as lágrimas. Ninguém pode te ver assim fraca, sorria.

Escuridão

Foi quando fechei os olhos da consciência, quando ignorei toda educação, quando dei a vontade o lugar eu voei. Libertei. Sem peso, sem pensar, eu fui algo mais, linda, poderosa, eu estava no topo.
Por que abrir os olhos e encontrar essa maldita escuridão que dizem ser a luz, deixe me aqui nas trevas dos olhos fechados, aqui eu sei voar.
Eu quero desistir da luz, da dor que ela me causa, quero fechar os olhos e viver nas trevas, mas não posso. Eu não consigo.
A luz parece acabar comigo esfregar na cara que a vida é injusta e não há segurança que vá melhorar. Nas trevas eu consigo esquecer que posso cair a qualquer momento, mesmo sem enxergar eu sei voar.
Abro os olhos e estou no chão com todos os problemas e dores, quero fechar os olhos novamente. Algo impede, uma voz no fundo da mente quero bloquea lá, algo diz que não, porém quero esquecer quero voltar a voar, não quero nada distante só quero o agora.  É muito querer voar?  Sim é, há um lugar onde será possível, mas está tão longe, eu quero agora quero levantar do chão e alcançar as nuvens a voz continua a impedir me, eu acredito nela eu ainda tenho luz mesmo ela estando apaga sei que posso acende lá.  Se acender adeus trevas e nuvens, há um lugar sim há e lá eu vou voar, está tão distante. Eu não estou pronta para viver aqui, eu não faço parte do grupo que aprende com a dor e que espera para voar.  Sou ansiosa, eu preciso voar. Não apago a luz, mas não a acendo.  Sei que tenho que decidir, mas ainda não posso, não conseguirei.
As nuvens danço sobre meus olhos, mesmo estando escuro, a voz fala mesmo a luz estando apagada. Amo as trevas, mas vivo na luz. Como dizer não? Como dizer sim?  Coração, razão?  Prazer ou vida?

Perda

            
Fico olhando a chuva cair na escuridão lá fora, a luz que vem do poste é a única coisa que permite poder enxergar mais que trevas. Foi ali pela aquela escuridão que ele saiu, foi ali que o vi pela última vez. Dessa vez eu sabia que era a última vez, depois de tantos adeus eu sabia que esse era o definitivo, o último, não teria mais nenhum. Eu sabia, eu sentia,tudo tinha mudado dessa vez.
               
Queria chorar, mas as lágrimas não vinham. Queria gritar, mas a voz não saia. Queria jogar as coisas na parede, mas meus braços não se mexiam. Queria esmurrar, socar alguma coisa, mas minhas mãos também não se mexiam. Queria poder descontar essa raiva, queria por ela pra fora, mas não conseguia a única coisa que conseguia era ficar aqui parada que nem uma estatua olhando a chuva cair lá fora.
               
A chuva continuava caindo e eu continuava a fita-la, a ficha já tinha caído, mas mesmo assim eu ainda não conseguia me mexer, eu ainda não conseguia reagir. A lembrança do nosso último adeus ainda domina minha mente, desde da sua saída ela não para de passar e repassar....
          
-Não, não mais precisamos disso. Você sabe, você precisa disso tanto quanto eu. Carinho de amigo é única coisa, você sabe, é isso não basta, você sabe que não.

  Sinto seus lábios no meu, um beijo rápido, frio, sem emoção, um típico último beijo.
          
Eu sabia que não dava mais, eu sabia que tinha acabado, mas como admitir quando eu ainda gostava da sua companhia? Sabia que era carinho de amigo, sabia que não era o bastante, mas sabia que assim que ele saísse por aquela porta nunca mais iriamos nos falar. Eu sabia que não estava perdendo só meu namorado eu estava perdendo também meu melhor amigo, a única pessoa que me entendia, sabia que estava perdendo a única pessoa com quem eu era eu mesma.

Não digo nada quando enquanto ele caminha até a porta da minha casa, simplesmente viro de costas e fico fuzilando a rua pela janela e desde então é o que estou fazendo, absorvendo a perda do meu grande amigo, namorado ele já não era a muito tempo.

Encontro


O vento está morno do jeito que ela gosta, o sol não aparece quando o vento norte aparece e provavelmente irá chover, ela sabe, porém mesmo assim saiu para correr tem certos hábitos que nem a chuva pode cortar. As ruas estão vazias por um momento, ela agradece, o vento, o silêncio é reconfortante. Até mesmo os barulhos dos carros hoje é diferente, os cabelos voam a cara, mas não se importa só torna o dia mais agradável. Ela entra na rua que leva até seu destino gostaria de correr mais um pouco, como está na rua apenas decidiu diminuir a velocidade e ir caminhado até a casa no fim da rua. São casas da classe média bonitinhas, com grades de proteção, carros populares na garagem, algumas plantas e um cachorro.  Ela sempre correu, nunca reparou muitos na casa hoje reparou. Ela chegou na casa azul com janelas e portas brancas, ela conhece essa casa como sua própria casa. Ela pega as chaves que ele deu lhe a algumas semanas e entra, encontrando o sentado na pequena varanda.
 
-Decidiu aproveitar o vento?


É um pequeno senhor talvez uns oitenta anos.


- Não é todos os dias que temos um vento assim.


Ela entra vai para cozinha arruma o café na cafeteira, vai para o quarto pega os remédios da pressão volta na cozinha pega um pouco do suco de laranja da cozinha e leva até ele. Depois de conferir que o tomou volta põe o café nas xícaras passa pela mesa da sala e recolhe o jornal que o jogou ali. Vai até a varanda da lhe o café,  senta no degrau mais alto da mini varanda.


-Parece um dia bonito.


Ela diz.


-Sim, um bom dia.


O silêncio entre eles é normal. Poderiam ficar o dia ali contemplando o silêncio, perdidos no próprios pensamentos e não seria constrangedor.


-Já pulou de paraquedas, menina?

-Não.


-Pois devia.


-Está nos planos.


Silêncio reina de novo tem apenas aquele assobio do vento. Ela pega o jornal que havia colocado sobre a varanda do seu lado abre o passa o olho pelas manchetes, retira os classificados e a parte dos colonistas e o alcança.


- Saudades dos bons jornais.


-Quais bom jornais?


-Aqueles em que não se via tragédias até nas colunas.


Ele nunca lê as notícias, as tragédias são sempre as mesmas, você pode até adivinhar.  As melhores coisas são surpreendentes, tipo o que se pode encontrar a venda nos classificados.
Ela terminou o café ele também, recolhe as xícaras e vai até a pia lavá las. Vai até a pequena biblioteca e recolhe os livros que haviam começado ontem, volta e senta novamente no chão coloca o livro dele ao seu lado e abre o seu.


-Pode alcançar o meu.


Ela o alcança, passam alguns minutos quem sabe até uma hora lendo, sem conversa só duas almas ali desfrutando da companhia silenciosa uma da outra.
Ele levanta  ela segue o com os olhos vai até a estante pega o pequeno caderno e as canetas volta.


- Qual a história hoje?


Ela pensa em algo quer que vire história e não faz ideia do que possa ser a historia de hoje.


-Vamos menina deve ter algo.


-Um dia de ventania.


Ele começa a escrever enquanto ela cita as palavras  em voz alta. Eles terminam, ela lamenta.
Ela pega o caderno e leva até o seu lugar.  Volta na varanda está quase na hora de ir,. Está quase na hora de voltar a só mais uma alma vazia, ela fica de pé encarando o céu nublado.


-Quanto tempo ainda demorará para cair a chuva?


-Algumas horinhas ainda.

Não se sabe quando tornou se um hábito a companhia dos dois pelas manhãs, foi depois que o encontrou desmaiado no portão, mas não se sabe quando decidiram ser amigos, quando decidiram compartilhar o silêncio e preencher o vazio da alma que cada um tinha. Não se sabe quando passaram a curar a alma ferida um do outro.