A luz está acesa, a televisão ligada, o barulho da geladeira velha, o quadro torto na parede, as roupas espalhada pela casa tudo como sempre foi, menos o sofá o ocupado, menos seus pés na mesa da sala, o riso fácil, tudo dele se foi. As cervejas, a tampa do vaso levantada, a cueca no box uma parte de mim, tudo foi embora. Na mesa de jantar ficou as últimas palavras, o último carinho, o último encontro de olhares, o último encontro. Cada parte há uma parte dele, uma memória nossa, e uma grito "acabou" A cama hoje vai estar mais fria, assim como o jantar estava mais solitário, o café mais forte.
A última conversa ainda ecoa na minha mente, o adeus ainda me atormenta e o desfecho está aqui cada vez que pisco os olhos. Tudo poderia ser tão diferente, uma palavra e estaria tudo exatamente igual e errado. Estaria o conforto, o conhecido, a rotina, o respeitável, o monótono, o tedioso. Tudo chega ao fim, o nosso chegou. Chegou antes das brigas, dos gritos, das ofensas, da mágoa o nosso fim foi tão bonito quanto o nosso início, de longe não tão alegre, mas não existe a regra de que coisas tristes não podem ser bonitas, acabamos por comprovar. Foi o certo, triste e bonito, doeu ainda doerá, porém fizemos o que deveríamos. As lembranças continuam intactas, lindas sem manchas da mágoa que a poderia sujar.
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