sábado, 20 de dezembro de 2014

Olho pela janela e tento descobrir como tudo ficou assim, não quero olhar nos seus olhos, não posso ver a dor que causei. Eu estou quebrada, mas sei que está pior  ,deu me tudo e eu ainda tenho uma parte que não lhe dei e não darei, uma parte que está intacta, que não posso, não consigo libertar. Sei que uma hora o pedido viria, sei que uma hora cansaria de esperar eu entregar lhe  e pediria. Eu não podia.

Eu vi em seus olhos o pedido assim como ele viu a negação nos meus, ele enfim entendeu o porquê dos curtos relacionamentos, do fácil mudar se, deixar ir, as histórias e segredos não revelados, os poucos amigos, a frieza, calculista, controle. Eu nunca seria quem precisava.

Não pense que eu não quis dar, eu quis, quis libertar me, quis dizer tome, eu quis entregar a última parte de mim que ainda não tinha, mas quando eu fui dá-lo não consegui.

Lágrimas caem pelo meu rosto, eu não consigo, eu não posso. Eu encaro, peço que entenda me. Ele não entende...

Estou olhando pela janela, reparando nos vagas lumes no meio da noite, quando ouço o som da porta batendo, ele se foi.

Choro, é a única coisa que posso fazer já que jamais poderei dar a alguém a confiança, a única parte de mim que não consigo libertar, confiança.